Há alguns dias publicamos um artigo fazendo um comparativo sobre as concessões implementadas pelo governo estadual em linhas da Companhia do Metropolitanos de São Paulo (Metrô) e Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Todas elas possuem seus pontos positivos e negativos. Entretanto, o modelo que mais agrada ao Plamurb é, sem dúvidas, o da Linha 6-Laranja, onde a iniciativa privada constrói e opera a linha pelo prazo de concessão estabelecido contratualmente.
Considerando isso, o Metrô vem estudando novas linhas para serem construídas futuramente. A Linha 19-Celeste aparenta ser a que esteja em um estágio mais adiantado no que tange a sair do papel, ou seja, sua implantação. Já foram abertas licitações envolvendo sondagens do solo e topografia, inclusive.
A referida linha deverá ter cerca de 17 km de extensão e 15 estações, muitas na zona norte da cidade, uma região carente de transporte de média/alta capacidade. Atualmente há apenas duas linhas de metrô, a 1-Azul e a 7-Rubi. Com obras retomadas ano passado, após 3 anos de paralisação, há também a 6-Laranja.
A obra será dividida em dois trechos, um entre Guarulhos e Anhangabaú, e o outro entre esta estação e a região da Vila Olímpia, possivelmente.
Quando esse primeiro trecho estiver pronto, está prevista uma demanda de mais de 500 mil passageiros por dia. A linha se integrará com a Linha 2-Verde na futura Estação Dutra, com a futura Estação Pari da Linha 11-Coral, com a Estação São Bento da Linha 1-Azul e com a Estação Anhangabaú da Linha 3-Vermelha.
Segundo informações do governo, o custo aproximado da linha será de R$ 15 bilhões e ela ainda pode ficar pronta nesta década.
Com todas as informações acima em mãos, vem a pergunta que é título deste artigo: qual será o modelo que usarão para a construção e operação desta linha? Sabemos que é ainda muito cedo para esse tipo de parecer, mas ainda assim, resolvemos questionar o Metrô por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). A resposta foi essa:
“Em atenção à sua solicitação, informamos que não há ainda nenhuma definição ou decisão por parte do Metrô de que a Linha 19-Celeste seja a próxima a iniciar sua construção.
Informamos também, que não há definição se a linha será viabilizada por meio de uma PPP, concessão comum ou construção e operação pelo Metrô.”
Mesmo sabendo que ainda isso não ficou decidido, acreditamos ser de extrema importância, pois assim pode-se pensar em captação de recursos e coisas do tipo, por exemplo.
É sabido que o modelo usado na Linha 4-Amarela é, de longe, o mais nocivo para o estado, tanto que ele não foi replicado novamente até o momento. Já o modelo usado nas linhas 5-Lilás, 8-Diamante e 9-Esmeralda também é muito nocivo, mas em um grau um pouco menor, já que o governo investiu valores estratosféricos para construir e modernizar as linhas e depois repassou por um valor de outorga irrisório. Temos, também, o modelo usado na Linha 6-Laranja, que nos agrada bastante, onde a iniciativa privada construiu a linha sozinha, cabendo ao Estado arcar com as desapropriações. Entretanto o custo elevadíssimo do investimento pode afastar possíveis investidores.
E como não poderia deixar de ser, há o modelo tradicional, onde o governo constrói e opera a linha. Assim foi com as linhas 1, 2, 3, 5 (antes da concessão) e 15, por exemplo. Mas claro que há muitas limitações, como os recursos estaduais e os problemas com licitações. Entretanto, mesmo com tudo isso, saíram do papel e não adianta nem usar o argumento do atraso, porque a Linha 6-Laranja está atrasada.
Por esta razão, tanto o governo quanto o Metrô precisam analisar friamente qual será o modelo usado na Linha 19. É preciso não repetir os erros anteriores e, principalmente, entender o papel desse tipo de serviço, uma vez que a pretensão de retornos financeiros vultosos na área de transporte público pode causar problemas enormes. O que queremos dizer com isso? Que talvez seja o momento de pensar em estações pequenas, bem enxutas mesmo, cumprindo com seu papel, e que ter um Estado operador nunca foi e nem será um problema.
Vale lembrar que a questão da repartição tarifária deve ser levada em conta. Uma concessionária nova significa uma partilha a mais. E como já escrevemos diversas vezes aqui no blog, essa bomba vai explodir em um futuro não tão distante.
source https://plamurbblog.wordpress.com/2021/08/14/qual-sera-o-modelo-de-construcao-e-operacao-da-linha-19-celeste/
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