quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Empresa turca critica governo brasileiro por porta-aviões

A empresa turca Dux disse ao Poder360 que não consegue autorização de nenhum estaleiro ou porto para atracar o antigo porta-aviões São Paulo. O navio, puxado por um rebocador, está perto do Porto de Suape (PE).

Nosso pedido de ajuda está sendo ignorado”, afirmou Kurzat Yuzlu, porta-voz da Dux, em entrevista por e-mail ao Poder360 nesta 5ª feira (6.out.2022). “Estamos dispostos a pagar um preço razoável para atracar em um local adequado”, disse Yuzlu.

O representante da Dux disse que o rebocador está perto de ficar sem combustível. As reservas de alimento e água da tripulação também estão perto do fim.

A Dux comprou o antigo porta-aviões como sucata da Marinha do Brasil em 2021. Levou-o por rebocador à Turquia para ser desmontado.

O comboio foi barrado em 9 de setembro. Teve que voltar ao Brasil. A embarcação militar desativada terá que passar por uma nova vistoria ambiental. Há incerteza quanto à quantidade de substâncias tóxicas, sobretudo amianto, no antigo navio.

O porta-aviões foi construído na França. Navegou com a bandeira do país com o nome de Foch de 1960 a 2000, quando foi vendido à Marinha do Brasil por US$ 12 milhões na época (R$ 106 milhões em valor atualizado).

Yuzlu também criticou o governo francês. “A França, produtora do resíduo, não mandou um e-mail nem telefonou. O Governo Francês está simplesmente ignorando sua responsabilidade”, afirmou o porta-voz. Ele disse que o produtor do resíduo tem deveres estabelecidos por convenção internacional sobre o tema.

O porta-aviões começou a navegar com a bandeira brasileira em 2001. Em maio de 2004 a explosão de um duto matou 3 tripulantes e feriu 7. O navio passou por uma reforma cujo valor é desconhecido.

Em 2017 descobriu-se que seria necessária nova reforma de R$ 1 bilhão para prorrogar o uso. Decidiu-se então desativá-lo. A Marinha vendeu-o como sucata para a Dux por R$ 11 milhões em 2021.

O Poder360 procurou a Marinha em 10 de setembro e nesta 5ª feira (6.out). Não houve resposta. O espaço segue aberto à manifestação.

Análise

O caso evidencia duas mazelas do Brasil.

A 1ª é a incapacidade operacional do Estado que leva uma empresa a ter que atravessar o Atlântico e retornar para cumprir normas que foram deixadas de lado.

A 2ª é a ineficiência do investimento público. O porta-aviões foi comprado por R$ 106 milhões em valores atualizados. Passou por ampla reforma depois de um acidente em 2004. Em 2017 descobriu-se que uma nova reforma ficaria cara demais. Foi então vendido por R$ 11 milhões como sucata.



from Poder360 https://ift.tt/L90cRqI
via IFTTT

Nenhum comentário:

Postar um comentário